segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Problema de Memória

Foto: Arquivo da Igreja Positivista do Brasil
Verde e amarela. Bastam duas palavras, duas cores, para evocar a bandeira brasileira. Em todo o mundo será das mais reconhecíveis. Por causa do futebol, certamente. A selecção brasileira – a "canarinha", assim chamada, precisamente, por causa da cor amarela –, é a que conta mais títulos na história do futebol mundial, o "desporto-rei", e há muitas décadas que nos estádios por esse mundo fora tanto as camisas como as bandeiras verdes e amarelas são brandidas em êxtase e adoração. Nem só pelos brasileiros.

São muitos os que se vestem com as duas cores consideradas sinónimo de alegria de viver: no futebol, no samba ou no carnaval, as maiores imagens e metáforas do país, não apenas fora de portas, mas também no seu interior.

Mas apesar de toda a popularidade daquele que é considerado o maior símbolo nacional, para a maioria dos brasileiros permanece envolta em mistério a origem das palavras que se lêem na bandeira: "Ordem e Progresso".[1]

Se lhes perguntarem, quantos brasileiros saberão responder que "Ordem e Progresso" se deve ao positivismo, a doutrina filosófica do francês Auguste Comte (1798-1857), e à fórmula que a resume: "O amor por princípio, e a ordem por base; o progresso por fim"?

Este desconhecimento estender-se-á à própria influência das ideias positivistas no fim do império e proclamação da república.

Na historiografia brasileira, não é incomum encontrar-se o positivismo remetido a uma nota de rodapé na qual se conta, em jeito breve de curiosidade, o episódio da bandeira. Exemplo disso é a recente obra "Brasil: Uma Biografia", de Lilia M. Schwarz e Heloisa M. Starling. É "en passant" que as duas autoras despacham a escolha da bandeira, referindo apenas "o lema positivista de 'Ordem e Progresso'", sem explicar a sua origem.

Noutra breve menção, desta feita sobre a nova, à data da proclamação da República (15 de Novembro de 1889), "figura feminina" que representava o regime, refere-se no livro que, no Brasil, "a alegoria fracassou, mesmo em sua versão positivista, espelhada em Clotilde de Vaux: poeta e escritora francesa, musa de Augusto Comte, que o teria inspirado na criação de sua 'Filosofia da Humanidade' e logo se transformara em símbolo republicano".[2]

Não será de admirar, portanto, que tenham sido os próprios positivistas a chamarem a si a tarefa de contar a história das ideias de Comte no Brasil. Mas também aqui "desconhecimento" é, uma vez mais, palavra de ordem.

Talvez a maior referência seja "História do Positivismo no Brasil", de Ivan Lins, que, com as suas 874 páginas, é habitualmente apresentada como "monumental".

No prefácio da obra que conta o percurso brasileiro da filosofia de Comte até à data em que foi publicada, 1967, Lins lamenta e explica: "Num país, como o nosso, onde a generalidade das famílias não tem o hábito de guardar os papéis de seus chefes, torna-se difícil estudar e documentar a acção dos que, em graus diversos, se filiaram ao Positivismo e contribuíram para a sua difusão entre nós".[3]

Se a família era o cordão através do qual a doutrina ia sendo transmitida, o favorecimento de uma atmosfera privada e íntima, juntamente com o preceito positivista que desencoraja o proselitismo, terão contribuído para que a influência não tenha sido mais alargada, ou, pelo menos, não tivesse sido maior o reconhecimento desse efeito.

Com as ideias positivistas mantidas, qual tradição, no estreito de um fluxo sanguíneo, foi entre família(s) que ficaram dispersos e incógnitos documentos que ajudariam a melhor contar a história.

Estafante trabalho terá tido, por isso, Ivan Lins, que desempoeirou documentos e descobriu provas, revelando novos dados que até aos nossos dias continuam essenciais, caso das primeiras referências ao pensamento de Comte no Brasil, depois de detalhar, estado a estado, os primeiros sinais da presença do pensamento positivista, ou de correspondência inédita entre a escritora Nísia Floresta e Auguste Comte.

Mas como se não bastasse a natureza interior, quase secreta, dos papéis que iam sendo passados de mão em mão, o Templo da Humanidade, no Rio de Janeiro, desde 1897 a sede da Igreja Positivista do Brasil, bem como o seu arquivo e antiga prensa, sofreu, em 2009, graves danos materiais com o desabamento do telhado, atacado por cupins (térmitas). Sem cobertura, as chuvas tropicais foram inclementes e a destruição desoladora. Em boa parte dos casos, o que não se perdeu ficou em mau estado.

Desde essa altura que o templo, o primeiro prédio religioso no mundo construído para abrigar o culto da Religião da Humanidade, é alvo de um projecto de restauro e revitalização que aguarda uma data de conclusão.

Em Maio de 2015, o Instituto Estadual do Património Cultural (INEPAC), órgão subordinado à Secretaria de Estado de Cultura do governo do estado do Rio de Janeiro, fez à Igreja Positivista do Brasil a proposta de concorrer ao Programa Memória do Mundo, da UNESCO, que tem por finalidade  identificar conjuntos documentais com valor de património da humanidade, para inseri-los no Registo Internacional de Património Documental.

Coincidentemente, foi logo depois de ter terminado a série de visitas ao Templo da Humanidade para a realização do documentário que equipas do Museu Cada de Benjamin Constant e do INEPAC, bem como de outras instituições,  em conjunto com elementos da Igreja Positivista do Brasil, inciaram os trabalhos para determinar o conjunto a ser apresentado na candidatura. Uma parte fundamental deste trabalho consiste na análise das publicações da Igreja Postivista do Brasil, desde sua fundação, em 1881.

A inscrição dos folhetos da IPB no Programa Memória do Mundo da UNESCO é, por isso, um passo deveras importante para a futura preservação dos acervos da instituição.

Mas outro cenário desolador foi encontrado a 1500 km a sul do Rio de Janeiro, em Porto Alegre.

No Museu da Comunicação Hipólito José da Costa, onde se guardam preciosos vestígios do passado positivista do Rio Grande do Sul, alguns destacados no filme "A Última Religião" (casoso da notícia do jornal "A Federação", datada de 19 de Janeiro de 1928, dando conta de que, naquele dia, "Será inaugurada a Capella da Humanidade", bem como um raro um exemplar da primeira edição da "Constituição Política do Estado do Rio Grande do Sul", de 1891), durante 12 anos, o desleixo foi diário.[4]

Por todo o Brasil, entre o que se perdeu e o que se salvou, conta-se (ou contar-se-ia, melhor dizendo) o que se dispersou. Só dá para imaginar.

Escreveu Lins: "Acham-se estes perdidos em opúsculos e livros raros, em colaborações de jornais e revistas da época, em discursos e escritos sepultos nos anais das assembleias legislativas da União e dos estados, em sentenças e decisões judiciárias, em documentos que só se podem manusear nos caóticos e pouco acolhedores arquivos das nossas escolas secundárias e superiores, onde vários discípulos de Comte leccionaram, ou perante cujas congregações defenderam teses de doutoramento ou de concurso."[5]

Também nesta disseminação se pode ver o escopo da influência das ideias de Comte no Brasil. Todavia, quanto maior a difusão se supõe, mais difícil será descobrir o fio à meada.

Talvez por isso, "os que se têm ocupado com a história do Positivismo no Brasil quase exclusivamente restringem o seu estudo à acção de Miguel Lemos e Teixeira Mendes, fundadores da Igreja e Apostolado Positivista do Brasil".[6]

Só que há mais, como também atesta outro livro que sintetiza a história do positivismo no Brasil, da autoria de Mozart Pereira Soares, veterinário, professor e escritor que chegou a estar à frente do templo de Porto Alegre.

Em 1989, Soares Pereira publicou "O Positivismo no Brasil, 200 anos de Augusto Comte", oferecendo uma espécie de ponto de vista gaúcho sobre o tema, sem com isso querer dizer que se trata, de facto, de uma nova visão, até porque, no capítulo dedicado à difusão do positivismo e do "ingresso da doutrina no Brasil", Soares Pereira se sustenta no trabalho de Ivan Lins.[7]

E é pela origem redescoberta por Lins que Soares Pereira começa: "Durante muito tempo admitiu-se que ele [positivismo] tivesse penetrado em nosso país pelo ensino das ciências exactas, matemática e astronomia, através da Escola Militar e da Marinha de Guerra, no Rio de Janeiro, ou ainda mediante as lições da física e da química, na Escola Politécnica."[8]

Mas, continua, "sabe-se agora que ele apareceu no Brasil por intermédio da biologia: em 1844 (5 de Setembro), Justiniano da Silva Gomes, lente substituto da cadeira de Fisiologia na Faculdade de Medicina da Bahia, apresentou e sustentou a tese de concurso para a citada cátedra, sob o título: "Plano e método de um Curso de Fisiologia".

Nota Soares Pereira que "a tese foi defendida apenas dois anos após a publicação do último volume do Curso de Filosofia Positiva (1842)", concluindo que, "por esses elementos, Ivan Lins, autor da História do Positivismo no Brasil, considera Justiniano o primeiro positivista brasileiro".[9]

Acrescentou Lins e sublinhou Soares Pereira: "A partir daí, acentua-se no país uma atmosfera de Positivismo difuso, a princípio entretida por alguns brasileiros, discípulos directos de Augusto Comte, que vieram exercer aqui suas actividades, ou de pessoas que mantiveram em Paris relações com o filósofo (...)".

No entanto, ressalva Soares Pereira, "está por ser esclarecida a influência que tiveram esses alunos de Comte na difusão do Positivismo entre nós".[10]

Mais certo, para Ivan Lins, foi o poder das ideias. E o positivista/historiador não podia ser mais enfático, ao ponto de afirmar que, "sem a existência, no Brasil, de um ambiente saturado de positivismo, devido aos que, em graus diversos, muito antes do Apostolado, e fora dele, aderiram às linhas básicas das doutrinas de Augusto Comte, a influência destas últimas, no momento da fundação da República, teria sido um milagre tão inexplicável quanto o de Minerva ao sair armada de elmo, escudo e lança, da cabeça de Júpiter".[11]

Defendendo que as raízes do positivismo "vinham de longe", Lins traça ligação até à "actividade intelectual dos portugueses", que, "como faz ver o Professor Cruz Costa, citando Lothar Thomas — 'orienta-se para um sentido positivo, para uma forma concreta de pensamento, que se afasta e diferencia dos moldes das culturas dos demais países da Europa medieval, sendo fácil, desde a Idade Média, verificar no pensamento português a constância de uma posição empírica, pragmática' (...)".

No Brasil, continua Lins, "essa tendência não só persistiu, mas ainda se acentuou, como o prova o desinteresse generalizado do brasileiro em relação às cogitações de natureza puramente abstracta ou metafísica". [12]

Se Lins tem ou não razão, é difícil comprovar. Mas o esquecimento, esse, é uma realidade.







[1] Segundo aponta o sítio www.bandeiranacional.com.br, o desconhecimento em relação à história e significado da bandeira chega às mais altas instâncias da nação. Na página electrónica da própria Presidência da República (http://www2.planalto.gov.br/acervo/simbolos-nacionais/bandeira/bandeira-nacional), por exemplo, pode ler-se: "As estrelas, que fazem parte da esfera, representam a constelação Cruzeiro do Sul", quando, na verdade, "as estrelas que estão na bandeira do Brasil pertencem a nove constelações e não apenas uma".
[2] Schwarcz, Lilia M., Starling, Heloisa M., "Brasil: Uma Biografia", 1ª edição, Companhia das Letras, São Paulo, 2015, página 319
[3] Lins, Ivan, "História do Positivismo no Brasil", Brasiliana, volume 322, São Paulo, 1967, página 5
[4] http://www.sul21.com.br/jornal/apos-anos-de-descaso-museu-da-comunicacao-corre-o-risco-de-perder-tesouros/
[5] Ibid. Lins, Ivan, pág. 6
[6] Ibid. Lins, Ivan, pág. 11
[7] Soares Pereira, Mozart, "O Positivismo no Brasil, 200 anos de Augusto Comte", Editora AGE Ltda, Rio Grande do Sul, 1998
[8] Ibid. Soares Pereira, Mozart, pág. 87
[9] Ibid. Soares Pereira, Mozart, pág. 87
[10] Ibid. Soares Pereira, Mozart, pág. 88
[11] Ibid. Lins, Ivan, pág. 12
[12] Ibid. Lins, Ivan, pág. 12

segunda-feira, 10 de julho de 2017

"Can we be religious without God?"

Alain de Botton on religion and some ideas that Auguste Comte pioneered:

"For me, and I think for many other people as well, the issue of religion actually goes way beyond belief in the supernatural, and yet a lot of the debate around religion started by people like Christopher Hitchens and Richard Dawkins reduces to familiar questions: Does God exist or not? Do angels exist or not? Is it stupid to believe in angels? 
While I understand the kind of emotional resonance around that, I think the real issue is why did people get drawn to religion? Why did we invent religions? What need did they serve? And also what are the aspects around religious life that may be disconnected from belief that nevertheless have great validity and resonance for people outside of faith today?  
Religions are not just a set of claims about the supernatural; they are also machines for living. They aim to guide you from birth to death and to teach you a whole range of things: to create a community, to create codes of behavior, to generate aesthetic experiences. And all of this seems to me incredibly important and, frankly, much more interesting than the question of whether Jesus was or wasn’t the son of God." 

sábado, 17 de junho de 2017

Archive.org

Desde hoje, o documentário "A Última Religião", nas versões em Português e Inglês, passa a estar armazenado também no sítio Archive.org.

https://archive.org/details/@acertainradio

domingo, 2 de abril de 2017

"A tale of profound beliefs" - Article on the website "mART"


(Still from "The Last Religion", by Hugo Pinto)

"It is a tale of profound beliefs — in science and reason, but also in love and selflessness. It is a tale of memories — true memories; kept alive by a few in Brazil. And it is a tale of a heritage — precious; endangered.

The Last Religion (2015), directed by Macau-based journalist Hugo Pinto, is a documentary about Positivism in Brazil. Positivism is a line of thought founded by French philosopher Auguste Comte in the 19th century.

Auguste Comte believed humanity evolved in three phases,” Mr Pinto tells mART. The first is “a theological phase, in which societies are dominated by myths, by supernatural beliefs, like a deity, a superior being;” the second was “a speculative” phase, dominated by “a certain speculative philosophy,” marked by “a lot of questions, but few answers”; and the third was “the Positivist phase, in which all knowledge is acquired through science,” “demonstrable knowledge”.

As a voice tells us at the beginning of the documentary, “the problem of humans is fundamentally the religion”. But when Comte talks about religion, “he’s referring to the harmony among all people”. “There’s only one religion: the Religion of Humanity. Or Positivism. It’s the same thing,” the voice says."


terça-feira, 7 de março de 2017

Brazil, the non-existent place

It was the first question that pointed me in the direction of what would become the documentary “The Last Religion”: why is Brazil the country where Auguste Comte’s influence is most visible and the only country in the world where temples of the Religion of Humanity were built from scratch to the purpose of honouring the French philosopher’s dream?

It is no mystery that Brazil has been for a very long time a fertile ground where religions and beliefs of all sorts have thrived.

But there’s something broader (and hazier) about the allure with which Brazil has fascinated so many people across centuries, one after the other enticed by the endless promises and the hope of a vast New World.

Nowadays, however, with rampant crime, inequality and lasting economic and political crisis, Brazil seems more inclined to scare people away.

But the bleakness is not a Brazilian exclusive. These days, the whole world seems incapable of confronting the future with the slightest optimism. The tomorrows that sing gave way to the yesterdays when all our troubles seemed so far away.

The rise of authoritarianism all across the Americas, Europe and Asia brought back memories of times that many thought closed in History books.

One is reminded of Stefan Zweig and “The World of Yesterday”, the beautiful memories of the Austrian writer, completed one day before he and his wife both committed suicide holding hands in Petrópolis, the German-colonized town on the outskirts of Rio de Janeiro, where the couple was seeking refuge from the Nazi persecution.

But long before hope turned into despair, and visions became delusions, ideas were all that mattered. Thoughts of salvation, fortune or glory animated the Portuguese missionaries, privateers and soldiers. To each his own utopia.

In the 19th century, late Qing Dynasty, a Chinese reformer, Kang Youwei, entertained the idea of establishing a new China in Brazil.

The project was briefly manifested in "Da Tongshu("大同書"), "The Book of Great Unity", and it would never be more than that: a mere idea, albeit part of a bigger plan.

In “Ta t´ung shu: the one-world philosophy of K`ang Yu-wei” (1), Lawrence G. Thompson notes:

“Ta T’ung shu does not quite fit into the pattern of the Western Utopias, whether of the type exemplified by Plato's Republic, by More’s Utopia or by Butler's Erewhon. Perhaps the essential difference is in the spirit of completely realistic planning which motivates the Chinese work. Granting the visionary quality of the whole scheme, it is nevertheless logically developed from the world as it is, and offers solutions to human problems which may in truth be otherwise insoluble. It is a 'utopia', therefore, only in   the sense in which a serious treatise, dealing with universal human problems and social problems in particular, and conceived on a grand scale, may be called Utopian.”

The same (apparently) “completely realistic planning” can also be found in the story of Fordlândia, the town founded in 1928 by Henry Ford, the American mogul that revolutionized industry with mass production and “who has turned the workingman into a human machine”, as one of Philip Roth’s characters puts it.

Deep in the Amazon jungle, the richest man in the United States hoped to create a typical American town where his workers could dedicate undisturbed to the extraction of rubber, the precious raw material needed for making tires and other car parts.

The enterprise would not end well. (2) In his review of “Fordlandia - The Rise and Fall of Henry Ford’s Forgotten Jungle City”, by Greg Grandin, The New York Times critic Ben Macintyre summarized how the dream irreversibly plummeted: “(…) (T)his outpost of modern capitalism was to be ‘an example of his particular American dream, of how Ford-style capitalism — high wages, humane benefits and moral improvement — could bring prosperity to a benighted land’. That blueprint may have worked in Ford’s River Rouge plant in Dearborn, Mich. It most emphatically did not work in the jungle. Instead of a miniature but improved North American city, what Ford created was a broiling, pestilential hellhole of disease, vice and violence, closer to Dodge City than peaceable Dearborn.”

In his review, Ben Macintyre also recalls another American seduced by Brazil, Theodore Roosevelt, who imagined in the Amazon the possibility of creating “populous manufacturing communities” served by the great river, only to return “from his Amazon expedition of 1914 declaring the jungle to be ‘sinister and evil’”.

Macintyre also mentions Nelson Rockefeller, who similarly “thought the 4,000 miles of the Amazon might be cut into canals”, and Elizabeth Nietzsche, “the sister of the philosopher, plunged into the jungles of Paraguay in 1886 intent on creating her own vegetarian Aryan republic, spurred on by the anti-Semitic effusions of Richard Wagner.”

While we’re at it, another character pops up: Brian Sweeney "Fitzcarraldo" Fitzgerald, the hero of Werner Herzog’s movie “Fitzcarraldo”, a rubber entrepreneur in the Amazon Basin in Peru, where he dreamt of building an opera house, probably inspired by The Amazon Theatre, in Manaus, in the heart of the Amazon rainforest in Brazil.

This opera house was inaugurated at the end of 1896, the time of the rubber boom. The theatre is featured in “Fitzcarraldo”, right at the memorable beginning of the film.

But perhaps the most ambitious were the positivists the erected the Temple of Humanity in Rio de Janeiro, the first religious building in the world constructed between 1891 and 1897 to house the cult of the Religion of Humanity.

Today, closed to the public because of a large crack in the ceiling, the Rio’s temple serves reluctantly as a metaphor for Comte’s dream and its decay.

But since ideas really have a life of their own, we can travel south to Porto Alegre, where we find the Chapel of Humanity, the only religious building left that was made from scratch for that purpose still open to the public every Sundays.

There you’ll still get a glimpse of the same hope that animated all those non-existent places. There, utopia has a place, which is another way of saying that it doesn’t exist. But when did it ever exist?

*****

(1) https://archive.org/stream/ServingThePeopleWithDialectics/TaTungShuTheOne-worldPhilosophy_djvu.txt

(2) What’s left today of this utopia that ended in ruins is described here: https://www.nytimes.com/2017/02/20/world/americas/deep-in-brazils-amazon-exploring-the-ruins-of-fords-fantasyland.html?hp&action=click&pgtype=Homepage&clickSource=story-heading&module=photo-spot-region&region=top-news&WT.nav=top-news&_r=0

(3) http://www.nytimes.com/2009/07/19/books/review/Macintyre-t.html?pagewanted=all&_r=0

(4) https://en.wikipedia.org/wiki/Fitzcarraldo

domingo, 22 de janeiro de 2017

The School of Life: Auguste Comte



Always interesting and entertaining, The School of Life presents Auguste Comte*:

"The 19th century thinker Auguste Comte invented a religion without a God in it. It was a fascinating move that deserves to be studied today."

* In the video, The School of Life get some facts wrong about Positivism in Brazil. Unfortunately, the Temple of Humanity in Rio de Janeiro isn't open until this day (the video was published in May 2016), because since 2009 it's closed to the public due to a big crack in the ceiling. Also, besides Rio, the city that was most influenced by Comte's ideas was Porto Alegre, where you can find still open the only Temple of Humanity built from scratch to that purpose.

"The Last Religion"



Director: Hugo Pinto
Production: Hugo Pinto and Luísa Sequeira (Director of Photography)
Co-production: Um Segundo Filmes (Portugal)

They had been around during the Proclamation of the Republic and even designed the national flag, but only a few in Brazil are aware of the historical significance of the Positivists – the followers of the doctrine created in the nineteenth century by the French philosopher Auguste Comte.

Brazil, home of samba and football, home of Christ the Redeemer and Candomblé, is the unlikely place where we can find alive the legacy of a thinker who believed in the liberating power of scientific knowledge.

Regarded as the founder of Sociology, Comte believed that the world could only be explained by science and that faith would be replaced by reason.

Comte rejected supernatural deity, but nevertheless saw religion as an important instrument to unite people around a common idea, as well as a moral order, against the anarchy of selfishness.

Based on universal love and his own newly invented concept of "altruism", Comte founded the Religion of Humanity.

In his vision he saw the Temples of Humanity built around the world, but that only happened in Brazil, in the cities of Rio de Janeiro and Porto Alegre.

"The Last Religion" is a documentary that traces Positivism in Brazil since its inception until the present day.

Filmed in Rio de Janeiro and Porto Alegre, "The Last Religion" introduces the ideas and the people who still believe in a world dominated by knowledge and selflessness as means to combat the two of the greatest global problems: religious fundamentalism and capitalism's closed horizons.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Imagens de "A Última Religião"






Fotogramas retirados do documentário "A Última Religião", realizado por Hugo Pinto em co-produção com Um Segundo Filmes.

Artigo do NYT sobre a Igreja Positivista do Brasil



(© Nadira Shira / The New York Times)